O Palhaço

Em busca de uma identidade e um ventilador, o palhaço Benjamin atravessa o filme com o rosto mais triste que poderia ter. Selton Mello conseguiu destoar da produção do cinema brasileiro em seu novo longa metragem O Palhaço, esta que estamos cansados de conhecer com sua estética de filme B, elenco 100% global e aquela falta de criatividade insistente.
O segundo filme do diretor/ator traz alguns belos enquadramentos, uma trilha agradável, cores (como não poderia deixar de ter, já que se trata de um filme sobre arte), bom humor, mas o persistente clichê. Vivo me perguntando quando vou sair realmente surpreendida do cinema com um filme nacional. Acho que a última vez que isso aconteceu foi quando assisti "O Cheiro do Ralo" (que por um acaso também é com o Selton Mello) ou ainda quando revi "Deus e o Diabo na terra do sol" de Glauber Rocha. Quando vamos fazer mais filmes assim? O que somos sujeitados a assistir é sempre o mais do mesmo, e depois de tanta porcaria as pessoas param de ter o mínimo de discernimento do que é bom e ruim, e começam a engolir tudo que vêem pela frente. Essa reclamação também vale para os pastelões americanos que são insuportavelmente repetitivos, mas consumimos quase por osmose.
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