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terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

As Horas

As Horas (2002), dirigido por Stephen Daldry é um drama que conta com um elenco de peso: Nicole Kidman, Juliane Moore, Meryl Streep e Ed Harris. Além de chamar atenção pelos atores envolvidos o filme é maravilhoso.


Em três períodos diferentes vivem três mulheres ligadas ao livro "Mrs. Dalloway". Em 1923 vive Virginia Woolf (Nicole Kidman), autora do livro, que enfrenta uma crise de depressão e idéias de suicídio. Em 1949 vive Laura Brown (Julianne Moore), uma dona de casa grávida que mora em Los Angeles, planeja uma festa de aniversário para o marido e não consegue parar de ler o livro. Nos dias atuais vive Clarissa Vaughn (Meryl Streep), uma editora de livros que vive em Nova York e dá uma festa para Richard (Ed Harris), escritor que fora seu amante no passado e hoje está com Aids e morrendo.

Nicole está irreconhecível com o seu nariz postiço, mas este truque funciona muito bem com o objetivo de deixá-la mais parecida com a verdadeira Virginia Woolf, Juliane está intensa e dramática e Meryl Streep fabulosa (como sempre).

Um detalhe que não pode ser esquecido é a montagem. É maravilhosamente bem feita, se tornando um dos grandes fatores responsáveis pela complexidade do filme. Trilha sonora comove exercendo seu papel com êxito, assim como o roteiro dono de frases que cortam o coração.

Não ligue se quando o longa acabar você ficar com a sensação de que algo não foi compreendido. Demorei alguns dias para escrevê-lo aqui, pois estava ruminando a história. Mas depois de completamente entendido, percebi o maravilhoso drama que Daldry realizou.

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terça-feira, 11 de agosto de 2009

Cama de Gato

Quase que documental, Cama de Gato (2002), o longa dirigido e assinado pelo estreante Alexandre Stockler, é um retrato [comprovadamente] fiel da juventude classe média do país. Pseudo-intelectuais hipócritas que cospem filosofias baratas e pouco sustentáveis - sequer seguidas pelos próprios, vale lembrar.

Cristiano (Caio Blat), Gabriel (Caian Baladez) e Chico (Rodrigo Bolzan) são jovens de classe média, fiéis amigos que, em busca puramente da diversão pela diversão, se envolvem numa tragédia sem precedentes.

Cama de Gato é aturdidor. Com cenas chocantes e situações aparentemente (!) inconcebíveis [tamanha é a absurdeza], incomoda e segura até o final o mais indiferente dos seres. Stockler, portanto, acerta em cheio em sua estréia, com sua cinematografia do absurdo, mesmo com seu irrisório orçamento – aproximadamente R$ 13 mil. Não apela. Dosa magistralmente cada seqüência, a fim de que não soe meramente apelativo ou vulgar, associado a uma trilha escolhida a dedo.

Ao aceitar participar de ousado projeto, Caio Blat emplaca mais uma destacável atuação no cinema.

Os discursos finais só reforçam o até então aparente absurdo, que a trama nos apresenta ao longo de seus imperceptíveis 92 minutos.

Ratifico, por fim, a opinião de Sérgio Dávila que ilustra a capa do DVD, quando diz: “Se for assistir a apenas um filme brasileiro neste ano, assista Cama de Gato...”.

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Elefante

Um ano após o ótimo e esclarecedor documentário de Michael Moore (Bowling for Columbine, 2002), Gus Van Sant apresenta seu aclamado longa Elefante - aquém do documentário que lhe inspirou - descrito na contracapa do DVD como “baseado parcialmente na tragédia de Columbine (...)”. Ao longo da trama é perceptível o que lhe rendera o advérbio.

Em Elefante, Gus Van Sant nos oferece um leque de possibilidades e motivações que levaram Herris e Klebold a cometer a famosa chacina no Instituto Columbine, no Colorado, em 1999. Algumas dessas possibilidades foram, inclusive e pouco depois do ocorrido, cogitadas. Outras, porém, sequer ventiladas – como o relacionamento ou mesmo a homossexualidade dos dois assassinos - apresentada na obra. Aqui, me parece, Van Sant faz transparecer, por mais uma vez, nada além de sua opção. Neste aspecto, pois, o artista peca. Além deste pequeno culto à sua personalidade – o que já era observado por Hegel à sua época – e levando em consideração todo o desfecho da história, aquilo que talvez tenha sido usado para propagandear a igualdade, soa na trama como mais um problema; um desvio de conduta dos jovens.

Por tudo que li e ouvi, esperava (bem) mais da obra – que até traz tomadas interessantes, flashbacks ricos e esclarecedores etc. Elefante, entretanto, não pode ser ignorado.

De mais interessante, o longa traz seu nome – que desperta curiosidade quase que imediata
–, que advém de frase do escritor irlandês Bernard MacLaverty, que disse que problemas com jovens são como ter um “elefante na sala de jantar e fingir que ele não existe.” Não obstante a bela referência, Elefante está longe de conseguir nos causar a reflexão que a obra documental de Moore consegue.

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