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domingo, 16 de janeiro de 2011

Um dia de cão

John Cazale como "Sal" e Al Pacino como "Sonny"

Um dia de cão (Dog Day Afternoon, 1975) é baseado na história verdadeira do criminoso Sonny Wortzik, que decide assaltar um grande banco em Nova York e acaba se colocando em uma situação catastrófica. As coisas começam a dar errado logo no início, quando um dos companheiros de Sonny (interpretado brilhantemente por Al Pacino) resolve desistir do assalto em plena ação. Sua única companhia agora é Sal (John Cazale), que é nitidamente uma pessoa perturbada.

Diferente do que se pode imaginar sobre assaltantes, Sonny é uma criatura quase dócil que se preocupa com os reféns e não tem intenção de machucar ninguém. Seu único desejo é sair do banco são e salvo. A mídia e a população também fazem parte do cenário no qual o filme se desenrola, e aos poucos o carisma de Sonny contagia os novaiorquinos que passam a apoiá-lo, causando enorme frustração aos policiais. Uma cena emblemática é quando o assaltante sai do banco para recolher as pizzas que pediu - preocupado com a alimentação dos reféns - e joga dinheiro no ar para o público presente.

Além de todo o caos instalado, quando descobrimos o motivo do roubo percebemos o quão fascinante e surpreendente é a história.
Embora seja um filme dramático, Um dia de cão traz muitas cenas cômicas misturadas ao frenesi do enredo. Al Pacino encarna o "vilão" como nenhum outro poderia ter feito. Sidney Lumet acerta em cheio nas suas escolhas, tanto do elenco quanto das situações dramáticas.

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quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Tokyo!


Já experimentou assistir um filme que é feito por vários diretores, sendo cada um responsável por uma história diferente? Percebeu como variam os gostos, atores, roteiros, mas no final tudo fica harmônico? Se você nunca assistiu a um filme assim, deveria começar por Tokyo!.

Michel Gondry (O brilho eterno de uma mente sem lembranças), Leos Carax (The Lovers on the Bridge) e Joon-ho Bong (Memórias de um assassino) são os responsáveis por esse longa que reúne histórias que se passam na cidade de Tokyo e dividem além do cenário, o sentimento de ser um "outsider" com sua devida dose de esquisitice - no seu melhor sentido.

Sendo assim, os segmentos são divididos em "Interior Design", "Merde" e "Shaking Tokyo". O primeiro conta a história de um casal que tenta se adaptar à cidade, o segundo traz uma criatura esquisita que sai de um bueiro aterrorizando a cidade e o último é sobre um jovem isolado que após um terremoto se apaixona por uma entregadora de pizza. Sei que isto soa muito estranho e completamente sem nexo, mas acredite que é muito divertido de assistir. É tão belo ver a mente dos três diretores trabalhando sobre um mesmo 'tema' e a capacidade de cada um deles produzir algo tão diferente e surreal. E é aqui que reside o grande prazer de assistir Tokyo!, sair das convenções, se deixar levar pela fantasia que se materializa na tela do cinema e compartilhar a sensibilidade de enxergar de perto esses elementos que vivem numa megalópole. Muita gente vai achar ruim, tenho plena consciência, mas acho que pelo menos a experiência de assistir um filme dessa natureza é válida, nem que seja para odiá-lo.

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Cisne Negro


"Poderoso" seria um bom adjetivo para descrever Cisne Negro (Black Swan, 2010/estreia no Brasil 2 de fevereiro de 2011), novo filme de Aronofsky que tem em sua carreira trabalhos maravilhosos como O Lutador (2008) e Réquiem para um Sonho (2000). Novamente somos surpreendidos pela incrível combinação de fatores - atuação, fotografia, figurino, maquiagem - que inebriam o espectador.

Nina (Natalie Portman) é uma bailarina de uma companhia de dança que é consumida completamente pela sua profissão. O diretor artístico do ballet (Vincent Cassel) decide aposentar Beth (a primeira bailarina) para produzir uma nova temporada - O Lago dos Cisnes* - e Nina vê sua oportunidade de finalmente brilhar e ser reconhecida. Depois de testes, Nina consegue ser escolhida para estrelar o espetáculo, embora não imagine todas as dificuldades que vai enfrentar para dançar o Cisne Negro.

Além de uma história muito interessante, Aronofsky aproveita muito bem o ballet de Tchaikovsky para produzir lindas cenas de dança que não seriam nada sem a fotografia de Matthew Libatique (que também trabalhou em Réquiem para um sonho, Tudo está iluminado, Homem de Ferro 1 e 2). A sequência inicial já incita o que está por vir nos 108 minutos perturbadores. Natalie Portman tem uma performance brilhante, assim como os atores Vincent Cassel e Mila Kunis, que são fundamentais para o constraste com a personagem Nina. Maquiagem e figurino também merecem ser destacados, assim como a trilha sonora produzida por Clint Mansell - que já foi elogiado no post anterior.

Já assisti Cisne Negro duas vezes e pretendo assistir sua estreia em fevereiro, pois é aquele tipo de filme que quanto mais se vê, mais se gosta, além de ser rico em detalhes que vão sendo descobertos aos poucos. Este com certeza merece o valor de seu ingresso.

* Balett dividido em IV atos onde uma princesa é transformada em cisne; O encanto só será quebrado se alguém puder amá-la.

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domingo, 28 de novembro de 2010

Filadélfia (1993)

Divulgação............
Hanks e Denzel valorizam o filme de Demme, vencedor de dois Oscar®


Ao som da ótima Streets of Philadelphia (vencedora do Oscar® de Melhor Canção Original), de Bruce Springsteen, Jonathan Demme orienta sua atemporal narrativa, em Filadélfia (Philadelphia, no original), amparado por seus grandes protagonistas: Tom Hanks (também agraciado com o Oscar® - Melhor Ator) e Denzel Washington, sempre preciso.

Na trama, representam uma dupla de advogados que se une a fim de processar uma importante firma de advocacia por discriminação. Além da dupla de notáveis, o diretor tem a seu favor o contexto (ainda) acrônico, capaz de catapultar e tornar verossímil sua obra ainda hoje.

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sábado, 28 de agosto de 2010

A Outra História Americana

Edward Norton exita no papel do líder de gangue etnicista

Em A Outra História Americana (American History X, no original), primeiro filme do londrino Tony Kaye como diretor, Derek Vinyard (Edward Norton, irretocável) é um carismático líder de uma gangue, cujo grande objetivo é disseminar a (execrável e conhecida) ideologia de uma supremacia racial branca.

Protagonista, Norton é capaz de transitar, soberbo e sempre à vontade, em personagens completamente díspares - como o ilusionista Eisenheim, em O Ilusionista, ou o cientista Bruce Banner, em O Incrível Hulk. O ótimo e controverso longa de Kaye exige de Norton, na pele de Derek, a representação de dois extremos - ainda que num mesmo personagem -, a qual é desempenhada de forma ilesa.

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terça-feira, 22 de junho de 2010

Mãos talentosas - A história de Ben Carson

Interpretando Ben Carson, Cuba Gooding Jr. emplaca outra grande atuação

Sempre excelente, Cuba Gooding Jr. é, em Mãos talentosas - A história de Ben Carson (Gifted Hands, no original), Benjamin Carson, um renomado neurocirurgião - precursor da hemisferectomia (remoção cirúrgica da metade afetada do cérebro) -, que, através da educação, contrariou o "senso comum" e tornou-se um dos mais importantes neurocirurgiões do mundo.

Dirigido por Thomas Carter e escrito por John Pielmeier, este registro biográfico passa, ao longe, da pieguice e apega-se à realidade do registrado. Tendo crescido em meio à pobreza - social e intelectual -, Ben não demonstrava grandes perspectivas. Atenta, sua mãe Sonya (Kimberly Elise) incentivou Ben para que explorasse toda a sua capacidade em prol do seu dom.

Ao final do filme, fica a sensação de poucas (ou nenhuma) lágrimas. O que, vale ressaltar, em nada diminui a obra, a qual ensina - e muito!

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terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

As Horas

As Horas (2002), dirigido por Stephen Daldry é um drama que conta com um elenco de peso: Nicole Kidman, Juliane Moore, Meryl Streep e Ed Harris. Além de chamar atenção pelos atores envolvidos o filme é maravilhoso.


Em três períodos diferentes vivem três mulheres ligadas ao livro "Mrs. Dalloway". Em 1923 vive Virginia Woolf (Nicole Kidman), autora do livro, que enfrenta uma crise de depressão e idéias de suicídio. Em 1949 vive Laura Brown (Julianne Moore), uma dona de casa grávida que mora em Los Angeles, planeja uma festa de aniversário para o marido e não consegue parar de ler o livro. Nos dias atuais vive Clarissa Vaughn (Meryl Streep), uma editora de livros que vive em Nova York e dá uma festa para Richard (Ed Harris), escritor que fora seu amante no passado e hoje está com Aids e morrendo.

Nicole está irreconhecível com o seu nariz postiço, mas este truque funciona muito bem com o objetivo de deixá-la mais parecida com a verdadeira Virginia Woolf, Juliane está intensa e dramática e Meryl Streep fabulosa (como sempre).

Um detalhe que não pode ser esquecido é a montagem. É maravilhosamente bem feita, se tornando um dos grandes fatores responsáveis pela complexidade do filme. Trilha sonora comove exercendo seu papel com êxito, assim como o roteiro dono de frases que cortam o coração.

Não ligue se quando o longa acabar você ficar com a sensação de que algo não foi compreendido. Demorei alguns dias para escrevê-lo aqui, pois estava ruminando a história. Mas depois de completamente entendido, percebi o maravilhoso drama que Daldry realizou.

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quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Perícia técnica - "Uma prova de amor"

Cada vez mais cônscio da distância entre o que me propus a fazer e o que efetivamente faço aqui, sigo escrevendo sei lá eu por que. Talvez só mesmo para treinar. Definitivamente não me passa pela cabeça um dia ser crítico de Cinema. Ser crítico, por si só, já é uma missão e tanta. Crítico de Cinema seria muita pretensão minha. Exige bagagem, base, olho clínico, olhar crítico etc. E isso, terminantemente, não tenho. Tudo – ou quase tudo – de certa forma me é agradável aos olhos, ao ouvido e, finalmente, ao interior – para comprovar, basta que percorram por meus textos. Ser crítico, por essência, é algo muito cômodo. Você não fez nada – e talvez nem mesmo saiba – e simplesmente senta, de forma fria e calculista (num primeiro momento, ao menos), para atribuir valor (pior: na maioria das vezes para subtrair valor) àquela obra que certamente, por pior que lhe pareça, tem seu valor. Parece-me pusilanimidade pura. Não é a minha, confesso. É importante aqui salientar que com este sincero relato não espero, sinceramente, comiseração destes que costumam ler aqui. Por favor! Fiz apenas para legitimar meu texto.

Posto isso e antes de escrever nada além de uma opinião minha acerca de outro filme, peço desculpa aos que eventualmente lêem (perdão novamente: não consigo me adequar a certas regras do novo acordo) este espaço. De verdade.

Esta tarde me comprometi a ir assistir ao belo Uma prova de amor (My Sister’s Keeper*), de Nick Cassavetes, baseado no romance homônimo de Picoult. O longa conta com figuras mais que carimbadas da grande tela, como Cameron Diaz (em sua melhor atuação - que vi até aqui -, fugindo completamente de suas repetitivas e insossas comédias românticas), Jason Patric e Alec Baldwin. É impossível deixar de mencionar as belíssimas atuações dos atores “mirins”. Desenvoltos. Seguros como veteranos. Sofia Vassilieva (foto), sobretudo. Incumbida de retratar a personagem terminal, consegue, sem forçar em momento nenhum, nos transmitir toda a angústia de uma paciente que agoniza e tem de aprender a lidar, ainda jovem, com a morte. Mais do que isso. Lidar com a morte com dia e hora marcados. Sua mãe, Sara (Diaz), super protetora, é capaz de conceber uma filha, fruto de uma fertilização in vitro, para que seja uma doadora compatível de sua irmã.

Afora os inúmeros flashbacks durante quase toda a trama, o diretor conseguiu lidar com uma questão delicadíssima sem que fosse preciso fazer maiores apelos. A história, por si, já tende a pender para este lado dramático. Não há, portanto, necessidade de retoques. Imagino que My Sister's Keeper emocione até o mais gélido dos seres deste planeta – em meio ao sabido aquecimento global, soa até ignorância abordar a temática por esse viés.

* Salvo alguns casos óbvios, confesso me perguntar o por quê de não se preservar o nome original, tal e qual fora concebido, do filme. Alguém poderá argumentar, histericamente, que é possível que não haja a mesma “força” com a tradução literal. Retruco: e lá?, por que tem? Por mais que se faça uma adaptação no literal, mas que o nome seja resguardado. Afinal, assim nomeou – e para tanto perdeu alguns minutos, horas, dias... - o diretor, produtor ou seja lá quem for.

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quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Cães de Aluguel



Naturalmente nenhuma pessoa precisa escrever nada sobre os filmes do Quentin Tarantino, pois estamos todos carecas de saber que ele é "O Cara". Falo isso como fã que já assistiu todos os seus trabalhos e como estudante de cinema. Independente de você gostar de filmes violentos, temos que admitir que os roteiros são fabulosos, com diálogos memoráveis e inteligentes. Então, hoje resolvi escrever sobre Cães de Aluguel (Reservoir Dogs, 1992), o primeiro filme d'O Cara.

Com um elenco quase totalmente masculino, Cães de Aluguel conta a história das consequências sangrentas de um roubo de diamantes que deu errado. Um grupo de criminosos atuam juntos no roubo, mas nenhum deles sabe a verdadeira identidade do outro, para que se torne impossível qualquer tipo de denúncia caso forem pegos. Sendo assim, os personagens são apresentados com apelidos, como: Mr. Pink, Mr. White, Mr. Brown, Mr. Blonde, Mr. Blue, Mr. Orange...
A partir daí, só precisamos relaxar na poltrona e assistir tudo que o Tarantino é capaz. Neste filme percebemos nitidamente a habilidade do diretor/roteirista de deixar o espectador estatelado na cadeira, impressionado com cada revelação da trama. As besteiras que os personagens falam durante o longa não são colocadas sem propósito, pelo contrário, são elas que fazem você desvendar a personalidade de cada um. As referências musicais usadas são ótimas e trazem um humor típico dos filmes do Quentin. Um exemplo disso é a cena dos criminosos reunidos, discutindo sobre o significado da música "Like a Virgin" da Madonna. Esta mesma me faz recordar a sequencia inicial de Pulp Fiction - Tempos de Violência (1994), onde temos um casal numa lanchonete, também discutindo (mais um marco do cinema na minha lista pessoal).

É muito esquisito escrever sobre filmes famosos e consagrados, pois parece que tudo já foi dito e que não há nada mais para explorar. Porém, Tarantino tem um magnetismo no seu trabalho fazendo com que quanto mais vezes for assistido, mais vezes é aclamado. Se eu puder indicar algum filme a alguém que não o conhece, eu diria se hesitar: assista todos.

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