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quinta-feira, 5 de maio de 2011

A Suprema Felicidade

A Suprema Felicidade de Arnaldo Jabor se passa no Rio de Janeiro pós-guerra e conta a história de Paulinho, filho de uma dona de casa oprimida e de um aviador machista. A trama não linear mostra várias fases da vida de Paulinho que se depara com angústias, medos, descobertas e amor. Ao seu lado ele tem a bela amizade de seu avô - interpretado por Marco Nanini - que divide boa parte da trama com o protagonista.



Jabor optou por um filme repleto de referências à chanchada, cheio de nudez e palavrões, os cabarés, figuras clássicas como Marilyn Monroe, o famoso drama "O Morro dos Ventos Uivantes", etc. Também cria uma atmosfera melancólica e saudosista, tanto pela narrativa quanto pela linguagem adotada - em alguns momentos o filme perde a cor.


A trilha sonora convence e a forma que o homossexualismo aparece no longa é sensível e sutil. Entretanto as brigas, as prostitutas, o amor caótico, a boemia, o espiritismo, a atuação lamentável de alguns atores e os personagens rasos transformam o filme em pura infelicidade.

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segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Apenas o fim

Com apenas uma hora e vinte minutos, Matheus Souza - estudante de cinema na PUC - consegue fazer um filme muito interessante e recheado de coisas que fizeram parte do cotidiano de uma geração. A história se passa dentro da própria universidade, onde um casal vive o último dia de namoro.

Apenas o fim é o primeiro longa desse jovem universitário que constrói um roteiro cheio de referências a diretores e filmes, além de videogames e outros elementos da cultura pop. Com uma estética limpa e sem muita experimentação, o que pesa são os diálogos inteligentes que muitas vezes acabam sendo engraçados. Star Wars, O Brilho Eterno de Uma Mente sem Lembranças, Mario Bros, Bergman, Vovó Mafalda, etc são algumas das referências que o filme traz. Talvez seja um belo retrato da geração dos anos 90, vale conferir.

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sábado, 23 de outubro de 2010

Os Famosos e Os Duendes da Morte

Os famosos e os duendes da morte (de Esmir Filho, 2009) como já disseram em alguns blogs de crítica é um filme sobre essa juventude "colorida" ou EMO. Mesmo depois de ler algumas coisas deste gênero acerca do longa, não me limitei e resolvi assistir. O interesse inicial surgiu justamente pelo seu título um tanto quanto intrigante. Depois soube que era filme brasileiro, o que me deixou ainda mais curiosa. Que bom! O filme pode se tratar sim de uma juventude que muita gente não tem saco pra ouvir, mas vai além disso também. Não podemos ignorar o cuidado que o diretor teve na construção do filme, que mescla cenas de câmera profissional com câmera amadora e até páginas famosas como o próprio blogspot, youtube e flickr. Através desses detalhes ele vai construindo uma linguagem que essa geração se identifica. E talvez consiga de fato relatar um pedacinho do que eles sentem ou gostariam de dizer. Há segurança nas escolhas dos planos e a fotografia é belíssima.

O protagonista se intitula como Mr. Tambourine Man, música de Bob Dylan, artista do qual ele é fã e que embala a trilha sonora do longa. Isolado em uma cidade do Rio Grande do Sul, o 'guri' usa a internet como meio de conhecer o mundo. Parece que a cidade está pequena demais para ele e sua fixação por uma personagem feminina que aparece em alguns momentos.

Talvez este seja um filme para poucos, devido aos rótulos que vem recebendo e sua estética 'alternativa'. Para quem gosta de uma coisa mais experimental, acredito que seja uma boa pedida. É sensível e bonito de ver.

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terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Quem pagará o enterro e as flores se eu me morrer de amores?

Vinícius, é um documentário dirigido por Miguel Faria Jr. (O Xangô de Baker Street, 2001) , que homenageia e nos dá oportunidade conhecer melhor o grande poeta e músico Vinícius de Moraes.

Conta com a participação de amigos e familiares que conviveram com o artista. Dentre esses, temos músicos e poetas como Ferreira Gullar, Chico Buarque, Maria Bethânia, Gilberto Gil, Caetano, etc. que vão moldando junto com as ex-esposas e filhas, sua trajetória. Conhecemos assim não só o artista, mas o ser humano que existia ali, rodeado de whisky, mulheres e amigos.

Os poemas são declamados por Camila Morgado e Ricardo Blat entre as entrevistas. Os entrevistados exploram desde a intimidade de Vinícius e sua necessidade de estar apaixonado, até a importância dele para a música brasileira. Vemos todas as misturas que foram ocorrendo ao longo de sua carreira, fazendo-o conhecido pelo mundo todo e sendo um dos poetas mais traduzidos.

Pra quem gosta ou quer conhecê-lo, vale a pena assistir.

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sábado, 26 de setembro de 2009

Festival do Rio 2009: "Viajo porque preciso, Volto porque te amo"



O novo filme de Marcelo Gomes, "Viajo porque preciso, Volto porque te amo", está na programação do festival do Rio 2009 e fala sobre amor(?) com uma perspectiva completamente inédita, além de abordar outros inúmeros assuntos.

José Renato (Irandhir Santos) atua no filme como narrador e personagem principal, sem aparecer em nenhuma cena, vivendo a história de um geólogo que viaja através do nordeste brasileiro, fazendo uma pesquisa de campo para a criação de um canal que será construído, a partir do desvio das águas do único rio da região. Apesar da viagem parecer somente a trabalho, percebemos que o protagonista traz consigo a agonia de um amor que não deu certo. Nessa trajetória, vamos acompanhando o diário de bordo, com cenas dos lugares por onde passa, mostrando toda a solidão e abandono que a região (e inclusive as pessoas) sofre. Soando por alguns momentos como um documentário, acredito que nunca vi nada parecido.

Como se fosse uma forma expressionista de mostrar um sentimento, cada imagem sofre junto com José Renato. O filme é completamente desfocado, com imagens barulhentas da estrada e aspecto bem descuidado - recurso que foi usado com muita propriedade e segurança. As sequências expressam a confusão do personagem e toda a sua angústia, sendo assim, nada melhor do que utilizar uma linguagem estética para tocar o espectador da forma certa. Com um "final sem fim", ficamos estatelados na cadeira com uma tristeza no peito. Acho que todos saem tocados do cinema exatamente como deveriam. Mesmo que o público fique irritado com o desfoque, barulhos estrondosos, tremor, escuridão, falta de enquadramento - como eu fiquei - e inúmeros outros recursos usados da lista: "o que não se deve fazer num filme", você tem a certeza de que nada ali está em vão. Aí você perdoa o diretor pela dor de cabeça do fim da sessão e percebe que o filme tem o seu valor, além do título ser no mínimo, intrigante.

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sábado, 29 de agosto de 2009

"Estômago": Na vida há os que devoram e os que são devorados.

Estômago( Marcos Jorge), é aquele tipo de filme que quando acaba, seus olhos estão brilhando, sua boca está aberta e você quer ligar pra sua lista telefônica inteira para indicá-lo. Começando pelo fato do filme não ter nenhum ator conhecido pelo " povão", (como os globais, atuais rede record - ha ha) já instiga aos curiosos e aos undergrounds a vê-lo. O resto é lucro. No início do longa, nos deparamos com Raimundo Nonato (João Miguel) narrando em off, dono de um sotaque surreal, que soma o cômico com o regionalismo. Mesmo com o decorrer de dois seguimentos temporais, o filme não deixa o espectador confuso, pelo contrário, prende cada vez mais a atenção do mesmo. Nonato sai do nordeste para o sudeste do Brasil, em busca de novas oportunidades. Logo na sua chegada, tentando se adaptar à nova região, se depara com a oportunidade de trabalhar na cozinha de um buteco, onde atuará como "fritador de coxinhas". Depois de um tempo trabalhando ali, ele é convidado para um restaurante italiano ( o filme é co-produzido pela Itália), que o transforma num conhecedor completo da culinária. Enquanto isso, vemos cenas alternadas de Nonato num presídio, que deixa o público ansioso para descobrir o por que dele estar lá. Acredito que isso é tudo que se precisa saber sobre "Estômago" para querer vê-lo. Um dos melhores filmes que assisti esse ano ( o filme é de 2007 mas eu sofri um "delay"), traz uma atuação brilhante do ator João Miguel, que ganhou pela segunda vez o prêmio de melhor ator do festival do Rio de 2007 ( anteriormente pelo filme "Cinema, Aspirinas e Urubus” - Marcelo Gomes). Eu poderia comentar sobre cada aspecto técnico do filme, da iluminação a edição, mas ele continuaria impecável. Só faria uma modificação - mínima - esta seria tirar o Paulo Miklos do elenco, ele faz uma pontinha, mas está muito "O Invasor" ( trocadilho barato). Antes que eu me esqueça, vale ressaltar a trilha sonora, que parece um assovio ,embala o filme perfeitamente caindo como uma luva. Pra quem gosta de um humor negro, corre já pra locadora ou pro torrent.


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sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Verônica

VERÔNICA é professora da rede municipal e agora, na iminência de se aposentar e passando por sérios problemas pessoais, está exausta e sem a paciência. Um dia, na escola em que trabalha, ela percebe que ninguém veio buscar Leandro, um aluno de oito anos e decide levá-lo em casa. Ao chegar no alto do morro, encontram a polícia e muito tumulto. Traficantes mataram os pais da criança e querem matá-lo também. Verônica foge com o menino. Ela procura ajuda e descobre que a policia também está ligada ao assassinato. Sem poder confiar em ninguém, ela decide esconder o garoto.
Verônica é um filme agitado. Por um momento, mas apenas por um, me lembrou o filme alemão "Corra Lola, Corra", embora este seja muito mais eletrizante. O filme aborda inúmeros assuntos como decadência do ensino público, desrespeito com os professores, sistema de saúde abominável, violência e corrupção de policiais.
O que me intriga é que mesmo com essa gama enorme de assuntos a serem tratados, o filme fica repetitivo e previsível. Em cada cena você se encontra "adivinhando" o que vai acontecer, inclusive, se você for cinéfilo [- ou não], conseguirá prever as falas também. Não tenho dados se o filme foi feito com pouco orçamento ou não, mas fica nítido que a fotografia, entre outros, foi infeliz, dando a impressão de ser um filme caseiro. Os personagens parecem perdidos entre si. Não sei o que aconteceu com Maurício Farias (diretor), para deixar os atores tão desconectados. Andréa Beltrão faz bem seu papel, embora não tenha nenhum desempenho espetacular, dando minha preferência à sua atuação divertidíssima em "A Grande Família", também dirigida por Maurício. A única coisa que salva na trilha sonora é a música da primeira cena, que vem com B. Negão empolgando o espectador. Depois disso, não espere escutar mais nada. Só músicas de tensão, enquanto Verônica foge incansavelmente de "todo mundo", que acabam com o climax ao invés de proporcioná-lo. O filme também conta com um fabuloso final... Clichêzão.

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