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quinta-feira, 5 de agosto de 2010

O Bem Amado

Na pele de Odorico, Nanini se reinventa, em mais uma memorável atuação

Como de costume, em O Bem Amado, Guel Arraes investe em um elenco de (enorme) qualidade para compor esta divertidíssima sátira política baseada na - atemporal - obra de Dias Gomes.

No longa, o competentíssimo diretor de A Grande Família reedita a dupla que usa no seriado: Marco Nanini e Tonico Perreira em papéis "antagônicos". Nanini é Odorico Paraguaçu, prefeito eleito de Sucupira; Tonico é Vladimir, dono do único jornal da cidade e principal opositor de Odorico. O elenco ainda é incrementado por nomes como Caio Blat, Andréa Beltrão, José Wilker, Zezé Polessa, Drica Moraes etc.

Destaque para a soberba atuação de Nanini - que se reinventa a cada papel -, trilha sonora (na voz incofundível de Caetano Veloso), marchinhas e figurino, o qual respeita piamente a época que se quis explorar. E, claro, a Guel Arraes por mais esta obra prima do cinema nacional.

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quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Desembarque obrigatório


Concordo plenamente com Ricardo Calil quando diz: "Overdose de filmes nacionais é problema, não solução". No entanto, nem o mais sóbrio dos cenários resistiria a Embarque Imediato, de Allan Fiterman. A (dita) comédia lembra o pior (tem melhor?) da comédia americana, repleto de piadas pueris e batidas além de situações ridículas - como é possível imaginar ao reparar a imagem responsável pela ilustração deste post.

Muito embora toque em questões pertinentes, como o "destino" de nossas vidas e o fascínio de boa parte dos brasileiros em ir - muitas vezes sem saber o por quê - aos Estados Unidos da América, o que se vê não agrada. É claro que este encantamento se explica à luz da "dominação" - aculturação - cultural americana (através de filmes, livros - menos -, músicas e até mesmo os heróis) a que somos submetidos, desde sempre. Querem, sabe-se lá por que, ir à Disney, Nova York. A Europa, por exemplo, não tem tanto prestígio por aqui - se comparado aos EUA, claro.

O ponto alto do filme, como não podia de ser, é a interpretação sempre natural, fácil e à vontade da formidável Marília Pêra, aliada ao talentoso Jonathan Haagensen -oriundo da companhia teatral Nós no Morro. José Wilker, embora ótimo, parece se repetir a cada filme.

Ao embarcar neste vôo de 90 minutos, a impressão que se tem é a de não haver, em momento nenhum, a decolagem. Infelizmente, este aeroporto não admite reembolso.

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