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quinta-feira, 1 de abril de 2010

Alta Fidelidade

Todd (dir.) ofusca Cusack (esq.) e rouba a cena em Alta Fidelidade

Baseado em romance homônimo, Alta Fidelidade (High Fidelity, 2000) pode ser observado por dois prismas, os quais resultariam em análises substancialmente extremas. Sob o ponto de vista de roteiro, a película de Stephen Frears - também assinada pelo protagonista John Cusack - é inegavelmente interessante. No entanto, fracassa como comédia ao insistir na malograda fórmula norte-americana de explorar o gênero, com atitudes e situações das mais débeis possíveis.

Protagonista, Cusack tem atuação irregular ao longo da obra. Por vezes é caricato - sobretudo em cenas de exaltação do personagem. Em via contrária vão Jack Black e Todd Louiso - grata surpresa pra mim -, soberbamente à vontade no papel de um débil mental.

Em que pese meu parecer, na balança da predileção,
Alta Fidelidade merece ser observado. Nem que seja para descobrir um novo passatempo capaz de desbravar dissimulada e inocentemente propensões de terceiros.

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sábado, 20 de fevereiro de 2010

O Auto da Compadecida

Divulgação
O Auto da Compadecida, de Guel Arraes, pertence àquele seletíssimo grupo dos filmes que estão à altura das obras nas quais foram inspiradas. Conhecido, muito também, por estar à frente de A Grande Família, o seriado de maior sucesso da Globo, Guel se notabilizou por ter êxito em suas empreitadas. Criou célebres programas como TV Pirata e A comédia da vida privada e seu remake de A Grande Família chega, com sobras, à nona temporada elevando Guel ao rol de grandes diretores deste país.

Guel faz uso de uma técnica quase infalível - o que, em nada, diminui seu valor: cerca-se de atores de incontestável talento para que comece a revelar toda a sua destreza na direção. Aqui, é indispensável que mencione boa parte deste elenco para que possamos mensurar com nitidez. Matheus Natchergaele é João Grilo, Selton Mello é Chicó, além de Diogo Vilela, Denise Fraga, Lima Duarte, Marco Nanini, Fernanda Montenegro, Rogério Cardoso, Bruno Garcia etc. A julgar por este elenco de estrelas, imagina-se ser o restante (adaptação, direção...) fácil. O engano está aí. Basta lembrar da obra prima originária, escrita por Ariano Suassuna, que nos faz gargalhar sem que faça uso de qualquer tipo de ilustração - saliento pois estamos cada vez mais reféns da imagem. Sua arma é somente o (brilhante) texto, sobretudo para fazer suas críticas veladas e perfeitamente direcionadas.

Fazer algo à altura de O Auto da Compadecida era tarefa quase impossível. Impensável, dada a autossuficiência do livro de Suassuna. Até que Guel Arraes teve a petulância de tentar e voilà...conseguiu. Este verdadeiro feito lhe rendeu premiações, como a de melhor diretor, melhor roteiro adaptado (aqui com Adriana e João Falcão), além de prêmio do público em Miami, no Festival de Cinema Brasileiro.

É comum ouvirmos reclamações - justas, por sinal - acerca da disparidade de obras, quando adaptadas de um livro para o cinema. Muitas, inclusive, são inadaptáveis. Neste caso exepcionalmente, porém, não há esta diferença. Muito pelo contrário. As duas obras são igualmente indispensáveis.

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terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Bosta antiga

Reprodução
Bossa Nova (2000), se quisesse, seria a crítica mais concisa entre todas escritas aqui até então. Bastariam alguns caracteres para defini-lo por completo. Em outras palavras, e a fim de que esta geração possa mensurar, um "post" (?) de 140 grunhidos possíveis no Twitter seria suficiente.

O filme dirigido por Bruno Barreto (mesmo diretor do ótimo O que é isso, companheiro?, 1997) não passa, em nenhum momento, de uma exaltação surrealista da cidade do Rio. É bem verdade que o movimento, nascido no fim da década de 50, também se propunha a isso. Não há uma ambiência sem um ponto turístico carioca destacado ao fundo. O luxo dá o tom à exaustão.

A redução deste país, caracterizado justamente por sua louvável miscelânea, a exaltações insustentáveis e irreais, tais quais cenários de guerra ininterrupta, me parece abominável. Há de se ter, como em tudo na vida, equilíbrio. Nem tanto ao mar, nem tanto à terra.

As atuações são tão frágeis quanto o enredo - muito embora disponha de atores como Antônio Fagundes, Alexandre Borges, Rogério e Pedro Cardoso, os quais têm seus lampejos ao longo da peça cinematográfica. É uma comédia com parcos momentos de riso. Por fim, e para piorar, muito dos 95 minutos de duração, somos submetidos à lingua inglesa - em geral, da pior qualidade possível.

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